Os Ponce

Catalina Ponce Alarcón

Filha de Gines e Maria Josefa; nos documentos, também Catharina

c. 1888 – 1953

Nascimento
c. 1888 (9 anos na chegada, em 1897)
Cuevas del Almanzora, Almería, Espanha
Casamento
com José Molina Algarte, no Brasil (a certidão de óbito diz Nuporanga, SP)
Falecimento
15 de setembro de 1953 (65 anos)
Promissão, SP
Profissão
lavradora
Onde viveu
Nuporanga, Sales Oliveira e Jardinópolis SP (1907–1913); Birigui SP (1915–1920); Promissão SP, distrito de Dinísia (1924–1953)
Imigração
chegou com os pais em 18 de novembro de 1897, com 9 anos

No FamilySearch, Catalina aparece em três perfis (KC75-R57, LYHL-GX5 e GG1F-9W6); aqui foram reunidos.

A filha mais velha: chegou com nove anos, casou-se com outro imigrante espanhol, teve onze filhos e seguiu a fronteira do café de Sales Oliveira a Birigui e Promissão, onde viveu mais de trinta anos.

A irmã mais velha

Catalina nasceu em Cuevas del Almanzora por volta de 1888. Provavelmente recebeu o nome da avó paterna, Catalina Navarro — era muito comum na Espanha a primeira filha herdar o nome de uma das avós. Tinha nove anos quando a família embarcou para o Brasil: “Quando sua família veio para o Brasil ela tinha 9 anos”, anotou a família, e é a idade que está no livro da Hospedaria de Imigrantes, em 1897.

Era a única menina entre os filhos mais velhos — a irmã Maria Concepción tinha só dois anos. Numa família de colonos, isso queria dizer trabalho dobrado: além da roça, a filha mais velha ajudava a mãe com a casa, a comida, a roupa e os irmãos pequenos, entre eles o bebê Lorenzo e, pouco depois, Antonio, nascido em Cravinhos.

José Molina Algarte

Catalina casou-se no Brasil com José Molina Algarte, também espanhol, filho de Angelo Molina e Maria Algarte. A certidão de óbito dela diz que o casamento foi em Nuporanga, no nordeste paulista. Algarte é um sobrenome pouco comum, encontrado sobretudo no leste da Andaluzia, na província de Almería.

Os Molina Algarte de Albánchez

A pista da terra de José está no livro da Hospedaria de Imigrantes. Em 8 de novembro de 1908 chegou a São Paulo, sozinho, Juan Molina Algarte, 22 anos, solteiro, lavrador, que não sabia ler. Os dois sobrenomes são exatamente os de José, na mesma ordem — o que, pela regra espanhola, quer dizer mesmo pai Molina e mesma mãe Algarte. Juan embarcou em Gibraltar no vapor Espagne, declarou que tinha vivido “sempre” em Albánchez, na Espanha, e pediu para seguir para Jardinópolis — a cidade onde, naqueles anos, viviam José, Catalina e os filhos. Tudo indica que era um irmão mais novo de José, que veio ao encontro dele; e, se for, os Molina Algarte eram de Albánchez.

José Molina Algarte, filho de Angelo Molina e Maria Algarte, deve ter chegado antes de 1907, quando já estava casado com Catalina; essa chegada ainda não foi encontrada no livro da Hospedaria.

A filha mais velha do casal, Maria, nasceu em 9 de setembro de 1907 e foi batizada em 6 de outubro; os padrinhos foram Francisco Ximenes e Maria Dolores Figueira. Vieram depois Angelo, nascido em Sales Oliveira, e Manoel, nascido em 2 de julho de 1910. Manoel foi batizado em Jardinópolis em 13 de agosto de 1911, e no registro aparecem como padrinhos “José Ponce” e “Concepcione Ponce” — muito provavelmente os irmãos de Catalina, José e Maria Concepción, que ainda eram solteiros.

A Fazenda Santa Bárbara

Em 1913 nasceu José, numa propriedade que os registros chamam de Fazenda Santa Bárbara. Na mesma fazenda, na mesma época, nasceu também Maria, filha do irmão mais velho, Gines. Os dois irmãos que tinham atravessado o oceano juntos, quando crianças, trabalhavam como colonos na mesma fazenda, na região de Sales Oliveira — e os primos cresceram juntos.

Birigui

Por volta de 1915, os Molina deixaram o nordeste paulista e foram para o Noroeste. Emilio nasceu em 27 de setembro de 1915 em Birigui. Ali nasceu também uma menina, Conceição, que morreu em 8 de maio de 1920, com dois anos.

Promissão e Dinísia

No começo dos anos 1920, a família estava em Promissão, onde viveria pelo resto da vida — a mesma cidade onde moravam a mãe de Catalina, Maria Josefa, e os irmãos Gines, Lourenço e Maria Concepción. Ali nasceram Adolfina, em 14 de agosto de 1924; uma menina chamada Josephina, em maio de 1927, que morreu com nove meses, em fevereiro de 1928; outra Josephina, em 27 de maio de 1929, que recebeu o nome da irmã perdida; e Mercedes, em 14 de julho de 1930. Houve ainda um filho chamado Antonio. Somando os registros, Catalina teve pelo menos onze filhos; quando ela morreu, oito estavam vivos.

Os Molina moravam em Dinísia, um distrito rural de Promissão. José Molina era lavrador, e Catalina, como quase todas as mulheres da roça, aparece nos papéis como trabalhadora agrícola.

Os filhos casaram-se, em geral, com filhos de outros imigrantes: Manoel com Ernestina Fontana; Emilio com Enid Focco; Mercedes com Nelson Petrucci, em novembro de 1953; Josephina com Joaquim Pires, em 1959. Alguns ficaram em Promissão; outros foram para a capital, para o ABC paulista ou para o Paraná.

“Natural de Cuevas”

Catalina morreu em Promissão em 15 de setembro de 1953, aos 65 anos. É a certidão de óbito dela que confirma, com todas as letras, a terra da família: “natural de Cuevas, Prov. de Almeria, Espanha”, filha de Jines Ponce Navarro e de Maria Terregrosa, ambos falecidos. Dois meses depois, a filha Mercedes se casava. José Molina Algarte morreu pouco mais de um ano depois de Catalina, em 27 de novembro de 1954, também em Promissão, e foi sepultado em Dinísia.

Certidão de óbito datilografada
Certidão de óbito de Catalina Ponce Alarcon, Promissão, 15 de setembro de 1953.

No FamilySearch, Catalina aparece em três perfis diferentes (KC75-R57, LYHL-GX5 e GG1F-9W6), com datas de nascimento de 1879, 1888 e 1908 e a mesma data de morte. Aqui eles foram reunidos numa só pessoa. Pela idade na Hospedaria (9 anos em 1897) e na morte (65 anos em 1953), ela nasceu por volta de 1888.

Os filhos de Catalina e Jose

  1. Maria Molina1907 – 1992

    Filhos

    • Daniel
    • Maria
    • Alice
    • Emília
    • Hortencia
    • Helena
    • Diamantino
  2. Angelo Molinan. 1909
  3. Manoel Molinan. 1911
  4. José Molinan. 1913
  5. Emilio Molinan. 1915
  6. Josephina Molinan. 1929
  7. Mercedes Molina Petrucci1930 – 2019
  8. Antonio
  9. Delfina
  10. Conceição Molina1918 – 1920Birigui, São Paulo, Brasil
  11. Josephina Molina1927 – 1928Promissão, São Paulo, Brasil

Documentos