Os Ponce

Gines Ponce Alarcón

Filho de Gines e Maria Josefa

c. 1887 – 1939

Retrato de Gines Ponce Alarcón
Nascimento
c. 1887 (10 anos na chegada, em 1897)
Espanha (provavelmente Cuevas del Almanzora)
Casamento
com Soledade Martins Garcia (registro civil de 24 de janeiro de 1915)
Falecimento
26 de janeiro de 1939 (febre tifoide)
Rolândia, PR
Profissão
lavrador
Onde viveu
Casa Branca e Cravinhos SP; Sales Oliveira SP, Fazenda Santa Bárbara (c. 1915); Promissão SP (1935); Rolândia PR (1939)
Imigração
chegou com os pais em 18 de novembro de 1897, com 10 anos

O primogênito: chegou ao Brasil com dez anos, foi colono de café no nordeste paulista e no Noroeste, criou nove filhos e morreu como pioneiro no norte do Paraná, quando Rolândia ainda era uma vila aberta no meio da mata.

Retrato de um jovem de terno e gravata
Gines Ponce Alarcón, num recorte da foto dos quatro irmãos. Fotografia guardada pela família.

O menino da travessia

Gines, o filho mais velho de Gines e Maria Josefa, nasceu na Espanha, na província de Almería, por volta de 1887. Levava o nome do pai — e, como manda o costume espanhol, o primeiro sobrenome do pai e o primeiro da mãe: Ponce Alarcón. Quando a família desembarcou em Santos, em novembro de 1897, o livro da Hospedaria de Imigrantes o registrou com dez anos. “Quando sua família veio para o Brasil ele tinha 10 anos”, anotou também a família.

Com essa idade, Gines já contava como braço. Nas fazendas de café, o contrato era feito com a família inteira, e um menino de dez ou doze anos capinava, carregava água e ajudava na colheita ao lado dos pais. Foi assim, provavelmente, a adolescência dele em Casa Branca e em Cravinhos, onde a família trabalhou nos primeiros anos.

Soledade e a Fazenda Santa Bárbara

Gines casou-se com Soledade Martins Garcia — na Espanha, Soledad Martín García —, também espanhola, nascida por volta de 1890-1892. O casamento civil foi registrado em 24 de janeiro de 1915; a filha mais velha, Ana, nascera em dezembro de 1913. O nome de Soledade aparece nos documentos brasileiros de muitas formas: Soledade Martins, Soledade Martins Garcia, até “Moledade” num índice mal lido.

Os registros dos filhos levam a família ao nordeste do estado, na região de Sales Oliveira, perto de Orlândia — a mesma região onde viviam a irmã Catalina e o cunhado José Molina. Maria, a segunda filha, nasceu na Fazenda Santa Bárbara; na mesma fazenda nasceu, na mesma época, um filho de Catalina. Os dois irmãos mais velhos, que tinham atravessado o oceano juntos quando crianças, trabalhavam lado a lado como colonos, na mesma fazenda.

A família de Soledade

Num dos registros dos filhos, os pais de Soledade aparecem como “Martins” e “Anna Garcia”. São os mesmos nomes dos pais de Rogério Martins Garcia — José Martín García e Ana García Giménez —, que em 1917 se casaria com Maria Concepción, a irmã de Gines. Soledade e Rogério eram, muito provavelmente, irmãos: dois irmãos Martín García casados com dois irmãos Ponce Alarcón. (“Martins” é o espanhol Martín passado pelos cartórios brasileiros.)

E há uma família com esses nomes no livro da Hospedaria de Imigrantes: em 21 de dezembro de 1896, onze meses antes dos Ponce, desembarcaram do vapor Les Andes, com a passagem paga pelo Estado, José Martín García, 36 anos, a mulher, Ana, 30, e os filhos Maria, 7, José, 5, e Rogelio, 2. A “Maria” de sete anos pode ser a própria Soledade — María de la Soledad —, nascida por volta de 1890: muitas espanholas tinham Maria como primeiro nome e eram chamadas pelo segundo. É uma hipótese forte, não uma prova.

Detalhe de livro manuscrito com cinco nomes
Livro de Matrícula dos Imigrantes, 21 de dezembro de 1896 (livro 56A, página 276): “Jose Martin Garcia, G. E., 36; Ana, 30; Maria, 7; José, 5; Rogelio, 2” — muito provavelmente os pais e os irmãos de Soledade. Museu da Imigração do Estado de São Paulo.

Promissão

Como os pais e os irmãos, Gines e Soledade seguiram o café para o oeste, pela Estrada de Ferro Noroeste. Em fevereiro de 1935 nasceu em Promissão o caçula, Indalecio. Ali viviam também, nessa época, os pais de Gines, a irmã Catalina e o irmão Lourenço. A filha mais velha, Ana, casou-se com José Manoel Sanches Parra, outro filho de espanhóis; o casal ficou em Promissão, e Ana viveria até 1997.

Rolândia, 1939

No fim dos anos 1930, Gines levou a família para o norte do Paraná, para a vila de Rolândia, que mal tinha sete anos de existência. Foi uma das primeiras mudanças de um Ponce para as terras novas do outro lado do rio Paranapanema — antes de Lourenço, que chegaria a Ibiporã nos anos 1940. O irmão José foi junto ou pouco depois: em dezembro de 1939 ele também morava em Rolândia, numa fazenda do distrito.

Gines não teve tempo de ver a vila crescer. Morreu em 26 de janeiro de 1939, às seis da tarde, de febre tifoide e paratifoide, aos 51 anos e cinco meses. Era lavrador e morava na vila de Rolândia. Quem foi ao cartório no dia seguinte foi o genro, José Manoel Sanches Parra, “residente e domiciliado em Promissão” e que estava “de passagem por esta vila”.

O registro guarda uma informação preciosa para toda a família: Gines era filho de “Giné Ponce Navarro, falecido, e de dona Maria Alarcon, hespanhola, residente e domiciliada em Promissão, do Estado de São Paulo”. Em janeiro de 1939, portanto, o velho Gines já tinha morrido, e Maria Josefa ainda vivia, em Promissão.

O escrivão anotou também os filhos que ficavam, com as idades: Ana, 26 anos; Maria, 24; Antonio, 21; Encarnação, 19; Manoel, 15; Guilherme, 13; Braz, 10; Carmen, 7; e Indalecio Ponce Martins, 4. Nove filhos, cinco deles ainda crianças.

Página manuscrita de livro de registro de óbitos
Registro de óbito de Gines Ponce de Alarcón, Rolândia, 27 de janeiro de 1939: filho de “Giné Ponce Navarro, falecido, e de dona Maria Alarcon, hespanhola, residente e domiciliada em Promissão”, casado com Soledade Martins Garcia, e a lista dos nove filhos.

Soledade e os filhos no norte do Paraná

Viúva, Soledade ficou no Paraná com os filhos. Em 16 de novembro de 1940, a filha Maria casou-se com João Ramos Lifante — e o casamento foi feito na própria casa de Soledade, “no Elefante”, no distrito de Nova Dantzig (hoje Cambé), “às portas abertas”, como mandava a lei para os casamentos celebrados fora do cartório. Em 1943, também em Cambé, a filha Encarnação casou-se com Ramon Ramires Lopes.

Início de um termo de casamento manuscrito
Casamento de Maria Ponce Martins e João Ramos Lifante, 16 de novembro de 1940: “nesta vila e distrito de Nova Dantzig, município e comarca de Londrina, (...) na casa de residência de D. Soledade Martins Garcia, no Elefante, às portas abertas”.

Os filhos de Gines e Soledade ficaram, em boa parte, na região de Londrina e Cambé. O caçula, Indalecio, morreu em Londrina em 1968, com apenas 33 anos.

Os filhos de Gines e Soledade

  1. Ana Ponce Martins1913 – 1997casou-se com José Manoel

    Filhos

    • Pedro e Romilda
    • Maria e Celso
    • Guines e Diva
    • Manoel e Judith
    • Luiz e Therezinha
    • Armando e Brasília
  2. Maria Ponce Martinsn. 1915casou-se com João

    Filhos

    • Valdomiro e Luz
    • Oswaldo e Aparecida
    • Dilva
    • João Ramos e Marlene
    • Gines e Aurea
    • Maria Aparecida e Luis Alves
  3. Indalecio Ponce Martins1935 – 1968casou-se com Izabel

    Filhos

    • Isaac e Suzeli
    • Luiz e Alda
  4. Braz Ponce Martinscasou-se com Mariana

    Filhos

    • Ramon e Elisete
    • Gines e Silvia
    • Roberto e Gisele
    • Marcio e Maria
  5. Guilherme Ponce Martinscasou-se com Luzia Simão Martins

    Filhos

    • Soledade e Josmar
    • Maria Josefa e Valentim
    • Gines e Bernardete
    • Raimundo e Mônica
    • Solange
  6. Antonio Ponce Martinscasou-se com Carmem

    Filhos

    • Reinaldo e Carmem
    • Percílio e Alice
    • Edivaldo e Neusa
    • Marta e Luiz
  7. Manuel Ponce Martinscasou-se com Maria

    Filhos

    • Casimiro e Lucia
    • Lurdes e Valdecir
    • Jair
    • Joel
  8. Encarnação Ponce Martinscasou-se com Ramão

    Filhos

    • Alice
    • Maurice e Sidnei
    • Dirce e Eduardo
    • Oscar
    • Alceu e Aparecida
    • Alcides e Neusa
  9. Carmem Poncecasou-se com Antonio Pinto

    Filhos

    • Maria e Jesus
    • Gines e Patricia
    • Natalicia e Amaral
    • Carlos e Claudia
    • Marcos e Juliane

Documentos