José Ponce Alarcón
Filho de Gines e Maria Josefa
1890 – 1959
- Nascimento
- 19 de agosto de 1890
Espanha (provavelmente Cuevas del Almanzora) - Casamento
- com Maria da Silva Ramos
- Falecimento
- 25 de agosto de 1959 (insuficiência cardíaca)
Gleba Cambira, distrito de Cambira, Apucarana, PR - Profissão
- lavrador
- Onde viveu
- Penápolis SP (1912–1924); Promissão SP (1925); Getulina SP (c. 1932); Rolândia PR (1939); Cambira, Apucarana PR (1959)
- Imigração
- chegou com os pais em 18 de novembro de 1897, com 7 anos
O terceiro filho: chegou com sete anos, casou-se com uma brasileira, viveu em Penápolis, Promissão e Getulina e terminou a vida como lavrador no norte do Paraná, em Cambira, no mesmo ano em que morreu o irmão Lourenço.
Da Espanha ao café
José nasceu na Espanha em 19 de agosto de 1890 — o primeiro dos filhos de Gines e Maria Josefa de que se conhece a data exata. “Quando sua família veio para o Brasil ele tinha 7 anos”, anotou a família; é a idade que está no livro da Hospedaria de Imigrantes em novembro de 1897. Cresceu nas fazendas de café de Casa Branca e de Cravinhos e, depois, no nordeste paulista, onde viviam os irmãos mais velhos. Em 1911, ainda solteiro, foi provavelmente ele o padrinho de um sobrinho, filho de Catalina, batizado em Jardinópolis.
Maria da Silva Ramos
José casou-se com Maria da Silva Ramos, filha de Joaquim Ramos da Silva e de Joana Ramos da Silva. Ao contrário das cunhadas, Maria não era espanhola: era brasileira, nascida por volta de 1894 em Cravinhos — a mesma cidade do café, perto de Ribeirão Preto, onde os Ponce trabalharam nos primeiros anos depois da chegada e onde nasceu o irmão caçula, Antonio. É bem provável que José e Maria tenham se conhecido ali, ainda jovens, nas colônias das fazendas de Cravinhos. O nome dos pais dela, Silva e Ramos, é bem português ou brasileiro; não se sabe se eram imigrantes de Portugal ou paulistas de nascimento.
O casal estava em Penápolis, no Noroeste, já em 1912 — foi lá que nasceu a primeira filha, Maria. No registro dela, o escrivão anotou os avós paternos, “Ginez Ponce Navarro e Maria Alarção Torreglosa”, e a lista de pessoas do registro inclui também o tio, Gines Ponce Alarcón. É o documento mais antigo dos Ponce no Noroeste.
Os filhos vieram ao longo de quase vinte anos: Maria, em 1912; Joaquim, em 30 de outubro de 1918; Joanna, em setembro de 1921; Eulália, em 1923; Eufemia, em setembro de 1924; João, em 15 de dezembro de 1925, já em Promissão; Josefa, em 6 de junho de 1928; Angelo, por volta de 1932, em Getulina; e ainda Gines e José. A família parece ter acompanhado de perto o pai, Gines, e a mãe, Maria Josefa: o registro de João, em Promissão, também traz os nomes dos avós.
Os anos difíceis de Penápolis
A vida em Penápolis não foi fácil. Joanna morreu com treze meses, em 2 de outubro de 1922. Eufemia nasceu em setembro de 1924 e morreu com três meses, em 30 de dezembro do mesmo ano. As duas foram sepultadas no cemitério de Penápolis.
Getulina e Rolândia
No começo dos anos 1930, a família estava em Getulina, outra cidade da Noroeste, perto de Lins, onde nasceu Angelo. Pouco depois, como o irmão mais velho, José levou a família para o norte do Paraná. Em 1937 a filha Maria casou-se em Londrina com Antonio Moreira. Em 1939 José morava na Fazenda Santa Cruz, no distrito de Rolândia — o mesmo lugar onde, em janeiro daquele ano, tinha morrido de tifo o irmão Gines.
O tifo voltou em dezembro. Em 7 de dezembro de 1939, às seis e meia da tarde, morreu de febre tifoide, em casa, na Fazenda Santa Cruz, o filho Angelo, de sete anos, “natural de Getulina, Estado de São Paulo”. O registro diz que o pai era “hespanhol, lavrador”, e a mãe, Maria Silva Ramos, “brasileira, doméstica”. O menino foi enterrado no cemitério de Rolândia.
Cambira
Com o avanço das plantações para oeste, José seguiu as terras novas: os filhos se espalharam por Londrina, Apucarana e, mais tarde, pelo oeste do Paraná — Eulália casou-se em Apucarana com Orlando Ferreira, e João morreria em Assis Chateaubriand em 1991. O último endereço de José foi a Gleba Cambira, no distrito de Cambira, então parte do município de Apucarana.
José Ponce Alarcón morreu em casa, na Gleba Cambira, em 25 de agosto de 1959, às seis e meia da tarde, de insuficiência cardíaca, aos 69 anos. Era lavrador. O registro diz que era filho de “Ginez Ponce Navarro e de dona Maria José Alarcon, ambos naturais da Espanha e falecidos”, e enumera os filhos que ficavam: Gines, Joaquim, João e José, solteiros, e Maria, Eulália e Josefa, casadas. E anota: “deixou bens a inventariar” — José, que chegara ao Brasil com sete anos num porão de terceira classe, deixava alguma coisa sua aos filhos.
Três meses depois, em novembro de 1959, morreria em Ibiporã o irmão caçula da travessia, Lourenço. Dos cinco filhos que tinham vindo da Espanha, só Maria Concepción viveria além daquele ano.
Maria, a viúva de Tupãssi
Maria da Silva Ramos sobreviveu ao marido vinte anos e acompanhou os filhos na última fronteira do Paraná, o oeste do estado, aberto nos anos 1950 e 1960. Morreu em casa, em Tupãssi, perto de Assis Chateaubriand, em 8 de julho de 1979, às sete da manhã, sem assistência médica, aos 85 anos. Quem foi ao cartório foi o filho João Ponce da Silva. O registro diz que ela era “natural de Cravinhos, São Paulo”, filha de Joaquim Ramos da Silva e de dona Joana Ramos da Silva, viúva, e que deixava seis filhos maiores.
No registro de 1959 o nome da mulher de José está escrito de um jeito difícil de ler (“Maria … Alarcon”), mas José aparece como casado, e Maria da Silva Ramos de fato ainda vivia: ela morreria viúva em 1979.